A busca pela Paz nas diferentes Religiões

Texto sobre Paz e Religiões, publicado na campanha Paz com as Próprias mãos de 2019, no FaceBook:

Todos queremos a paz! Independente do caminho que cada um de nós possamos escolher, a intenção almejada é a mesma.

A proposta desse texto, é uma reflexão sobre a paz na visão de diferentes religiões do Brasil.

Paz e Datas Comemorativas:

No dia 21 de setembro de 2006, a Assembleia Geral da ONU proclamou o Dia Internacional da Paz como um dia de cessar-fogo e de não violência em todo o mundo. Desde então a ONU tem celebrado este dia, cuja finalidade não é apenas que as pessoas pensem na paz, mas sim que façam também algo a favor da paz.

Desde o ano de 1948, em virtude do assassinato do líder pacifista Mahatma Gandhi, o mundo celebra no dia 30 de janeiro o Dia Mundial da Não Violência, que é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada à educação para a paz, à solidariedade e o respeito pelos direitos humanos. A celebração deste dia chama a atenção para a não violência em qualquer contexto social.

O Dia Mundial da Paz inicialmente chamado de Dia da Paz é comemorado em 1 de janeiro e foi criado pelo papa Paulo VI, em 1967. O papa não queria que a comemoração se restringisse apenas aos católicos, pois, na sua opinião, a verdadeira celebração da paz só estaria completa se envolvesse todos os homens, não importando a religião. Ele expressava seu desejo de que esta iniciativa ganhasse adesão ao redor do mundo com “caráter sincero e forte de uma humanidade consciente e liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história do mundo um devir mais feliz, ordenado e civil”. Portanto, O Dia da Paz Mundial é um dia a ser celebrado pelos “verdadeiros amigos da Paz”, independente de credo, etnia, posição social ou econômica.

A Paz em outras Religiões

vejamos como outras religiões abordam o tema da paz:

Teologia:

Para Nivia Ivette Núñes de la Paz, doutora em Teologia, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) “Jesus veio para que tenhamos vida abundante, e é essa proposta que deve orientar a política, a religião e a ética”, tudo o que vai contra esse modelo deve ser combatido. “É um processo de desconstrução e de construção, sobre o qual todas e todos nós temos responsabilidade.

Judaísmo:

Em quase todas as sociedades modernas há leis proibindo atos de violência física. Não é surpresa que a Torá também considere isso como um grave pecado. Isroel Dovid Klein explana sobre esse assunto, no blog (pt.chabad.org), dentro da ética e sabedoria dos valores judaicos.
A palavra paz, em hebraico shalom, deriva da mesma raiz de shalem, que significa inteireza. Pierre Weil, no livro A arte de viver a paz, (distinguida em 2000, como prêmio Unesco de Educação para a paz), sustenta na proposta de uma inclusão, onde abrange o ser humano, a sociedade e a natureza o que implica em uma felicidade interior, harmonia social e sustentabilidade.

Xamanismo:

Quem dará o primeiro passo em direção à Paz, eu ou o outro? De quem é a responsabilidade pela Paz? Na sabedoria xamânica, que vem de nossos ancestrais, quando você se torna consciente de alguma coisa, sua responsabilidade sobre ela se torna maior, e o primeiro convite é para nos interiorizar.É fundamental para nossa paz interior que tenhamos uma boa relação conosco e com o ambiente que nos cerca, mas antes que possamos ter uma boa relação com esse ambiente precisamos nos conhecer primeiro, conhecer nossa sombra, ou seja, nossos medos, ansiedades, angústias, dúvidas, raivas, culpas e nossos julgamentos, a contraparte do nosso ser que rejeitamos, mas que quando perdemos o equilíbrio se manifestam descontroladamente. Então o que seria esse equilíbrio?

Taoismo:

Se percebemos que dentro de nós existem duas polaridades opostas e tentamos negar uma delas então estamos negando uma parte do nosso ser, isso pode ser considerado um desequilíbrio já que somos constituídos dessas duas polaridades e rejeitamos uma delas, estamos em uma guerra interna incessante.

Se estamos em guerra interiormente como podemos querer que haja Paz exteriormente?

Percebemos essa união entre os opostos complementares também na antiga filosofia chinesa do TAO;

TAO TE KING:

Quando o homem conhece o formoso,
Conhece também o não formoso,
Quando conhece o bom,
Conhece também o não bom,
Porque o pesado e o leve,
O alto e o baixo,
O silêncio e o som,
O antes e o depois,
O ser e o não ser,
Engendram-se um ao outro.

Espiritismo:

O espiritismo é uma combinação de filosofia, ciência e religião. A paz e seu sistema moral se espelha nos valores do cristianismo. A respeito ao próximo e a caridade são elementos centrais nessa doutrina. Para o espiritismo, a paz é uma consequência da evolução espiritual e cada pessoa com a qual nos conectamos nos oferece uma oportunidade para aprimorarmos nosso espírito. Portanto, nossa família, amigos e o contexto em que vivemos, formam esta escola onde nosso propósito é melhorar a convivência com todos os seres: humanos e animais.

Umbanda:

No livro, Elucidações de Umbanda, (Ramatis e vovó Conga), diz que a Umbanda ensina a praticarmos a não violência, a tornarmo-nos pacíficos. O mandamento maior de preservação da vida recomenda não matar. Seria inconcebível que o indivíduo não procurasse uma prática espiritual para compreender, à luz do discernir, os motivos que o fazem sofrer. Se assim não agir, não romperá as algemas da ignorância. No livro faz-se um convite para refletirmos que a não violência significa muito mais que algo meramente físico. Amplia-se para não deixar outros em aflição, não causar sofrimento.

Evangelismo:

Uma das mais intrigantes passagens evangélicas está registrada no Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículo 34:

“Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada.”

Milhões de cristãos, mundo a fora, não conseguem extrair do anunciado de Jesus o seu profundo e verdadeiro sentido. Mas, que espada é esta que Jesus nos traz?

Para Crema, no livro O poder do encontro, Paz é um processo, confirmando a sabedoria da tradição chinesa, que o oposto dela não é conflito e sim, estagnação, o estrangulamento do fluxo natural do Tao da Vida. É preciso militar por uma cultura de paz como guerreiros pacíficos. Trata-se não com armas da violência e, sim, com as da consciência: a responsabilidade, a generosidade, a gentileza, o amor e a compaixão, guiados pelas virtudes da lealdade, da disciplina, da coragem e do serviço. Trata-se de fazer o bom combate pelo Bom, o belo e o bem.

Independente de Religião

A Comunicação Não Violenta (CNV) é um belo exemplo de apelo pela paz que dialoga com todas as religiões.

Marshall Rosenberg, propositor da CNV, estudou religiões comparadas, buscando compreender o que, para cada uma delas, seria o propósito da nossa existência. Nessa busca, ele percebeu que, na essência, todas elas diziam a mesma coisa: o estado de compaixão e doação em prol do cuidado com a vida é o modo pelo qual todos os seres humanos deviam ser motivados para a agir.

Mas, quando Marshall se perguntou sobre como fazer para sustentar esta motivação, ele percebeu que haviam formas de pensar e se comunicar que poderiam apoiar isso. E a CNV foi criada com este propósito de sustentar a Paz, tanto interna quanto externa. Então, aprenda mais sobre a história da CNV aqui neste curso gratuito.

Referências

Sites pesquisados:

Fundação Luterana de Diaconia

Federação Espírita do Paraná

Radio Vinha de Luz

TriangulodaFraternidade

Xamanismo.com 12

Livro pesquisado:

O poder do encontro – Origem do Cuidado – Roberto Crema

Convite:

Se não mencionamos sua religião, contribua comentando o que ela pensa sobre a paz nos comentários!

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